Ao lermos o título desta postagem, a primeira coisa que vem em nossa mente é a indagação: Que paradoxo! Como pode existir algum tipo de relação entre os opostos liberdade e restrição?
Bem, o fato é que nós seres humanos sempre fizemos um culto á palavra "Liberdade". Mas será que alguma vez paramos para analisar o que se encontra implícito em tão defendido ideal?
Se observarmos, constataremos que a maioria das pessoas confunde liberdade com libertinagem ou liberdade irrestrita, que nada mais é que escravidão!
Um simples exemplo: muitos bradam - "Sou livre, sou dono de minha vida e faço o que quiser! Fumo, bebo inveteradamente, faço o que eu quiser, na hora que bem entender!" Porém este tipo de liberdade, obviamente é escravidão. Que tipo de homem livre é este do exemplo, se é preso a seus vícios?
Seguindo o explanado no parágrafo anterior, pode-se começar a enxergar a relação liberdade-restrição: só sou verdadeiramente livre para ingerir bebidas alcoólicas, por exemplo, se tenho auto-controle para dosar a quantidade e a periodicidade que irei consumi-lá, do contrário serei um escravo, um alcoólatra.
Sempre a verdadeira liberdade está conectada á restrição, limitação, controle, disciplina e isso é um dos fatores que nos diferencia dos outros animais e nos torna humanos. Ela é necessária até para podermos aprender algo, onde temos que limitar nossa consciência, nos concentrar naquilo que estamos estudando para assimilar seu conteúdo; um atleta como um lutador marcial, só conseguirá evoluir em seu treino se dedicar-se de maneira disciplinada, tendo que abrir mãos muitas vezes, de atividades que serão empecilhos ao seu desenvolvimento.
Temos a liberdade de escolher nossas restrições, porém toda escolha que fazemos tem seu preço, seus prós e seus contras, mas se optamos deliberadamente, as consequências de nossa escolha não serão consideradas limitadoras e enfadonhas.
Se opto por seguir uma vida de solteiro, terei mais tempo e liberdade para se dedicar as coisas pessoais, para sair com os amigos e etc, porém pela falta de um par não estarei desfrutando das "delícias" do amor entre outras coisas que só um relacionamento proporciona. Por outro lado se escolho deliberadamente me atar a um relacionamento, terei a chance de viver os prazeres e experiências advindos de tal, mas seu preço será o compromisso com a pessoa amada, menos tempo com os amigos entre outras restrições.
Liberdade e individualidade.
Há um antigo axioma que diz: "Atue de maneira totalmente oposta ao mundo"!
Como assim? Quando buscamos nosso auto-conhecimento, começamos a observar que não somos em realidade indivíduos, ainda que pensemos que o somos. Pois na maioria das vezes reagimos, raciocinamos de acordo com condicionamenteos oriundos do nível externo a nós: a educação que recebemos de nossos pais, a doutrinação e o moralismo religioso, os padrões propagados pelos meios de comunicação, que hoje são os maiores ditadores da maneira que devemos nos comportar, como devemos nos vestir, o que devemos gostar, tudo isso para sermos aceitos e bem vistos em nossa amorfa e massificada sociedade. Isso não significa que não podemos extrair e incorporar ao nosso Ser algo vindo de fora, como por exemplo aquilo que lemos num livro. Como disse o apóstolo Paulo: "Li de tudo e reti o que era bom!", mas infelizmente a maioria da humanidade, ainda não atingiu a maturidade, que traz consigo está faculdade de discernir o que é bom para si próprio, ou aquilo que se afina com a nossa individualidade, com nossa verdade interior.
Então, roboticamente seguimos como peões movidos num tabuleiro de xadrez se não percebemos aquilo que somos e aquilo que não somos, e contínuarmos reagindo de acordo com todas estás programações.
Em suma, só teremos liberdade a nível pessoal, se conhecermos nossa verdadeira individualidade enterrada por trás de nossos condicionamentos e passarmos a agir de acordo com a Lei e a Voz de nosso verdadeiro Eu.

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