terça-feira, 28 de setembro de 2010

Alquímia: Nigredo, Albedo e Rubedo

Por Frater Juan Carlos Romera, formado pela Ordem iniciática B.O.T.A. (Builders of the Adytum)


Alquimia é a arte e ciência que procura a transformação do corpo e da mente com a finalidade de converter, o indivíduo que a pratica, num canal cristalino para uma nova consciência. Essa consciência, diferentemente daquela que está presente no homem natural, outorga uma percepção do mundo na qual a unidade é a característica fundamental. O alquimista percebe o elo indivisível entre o Criador, o Universo e a Natureza Humana. Esse novo “estado de ser” foi conhecido pelos antigos como a descoberta e desenvolvimento da Pedra Filosofal.

Foi chamado assim, pois em hebraico, pedra é EBEN, sendo que a primeira parte da palavra constituída pelas letras Aleph e Beth formam a expressão AB que se traduz como “pai”. A segunda parte da palavra está constituída pelas letras Beth e Nun, as quais formam a expressão BEN que se traduz como “filho”. Dessa maneira, os antigos alquimistas ocultaram no simbolismo da Pedra Filosofal o conceito místico da união do Pai com o Filho, várias vezes repetido na Bíblia, tanto nas escrituras hebraicas do Antigo Testamento como nas grego-cristãs.

Esta é a Pedra Fundamental que na Bíblia é mencionada como “recusada pelos construtores”. Efetivamente, enquanto o ser humano comum pretende construir sua vida a partir dos efeitos do mundo sensorial, o alquimista reconhece o plano das causas, o nível espiritual profundo: a consciência. Sobre essa “rocha”, a mais sólida de todas, pois a consciência nunca muda nem se vê submetida às mudanças do mundo físico, o Filósofo da Arte trabalha sua personalidade, transformando adversidades em circunstâncias de crescimento favorável em todas as facetas de sua vida.

Uma vez atingida a Pedra Filosofal, isto é, uma vez reconhecido o foco de consciência interna ou o verdadeiro EU SOU em seu interior, o alquimista consegue transmutar o Chumbo em Ouro, isto é, mudar um estado de consciência limitado e pesado, em outro resplandecente e brilhante. Nessa “transmutação metálica”, o chumbo, metal associado ao planeta Saturno, representa o estado inferior, animalizado, no qual a consciência humana se vê limitada às condições de tempo e espaço. O chumbo é o estado de sofrimento produto da ignorância ao respeito de nossa natureza divina. O ouro, um metal solar, tem a conotação de integração, pois o astro central de nosso sistema planetário sempre representou a fonte de vida e regeneração da espécie humana.

Com esse poder renovador funcionando em seu interior, conhecido como a Medicina Universal, o alquimista pode, por meio da força do Amor Incondicional, integrar sua personalidade. Será graças à aplicação dessa força harmônica que chegará no ponto em que atingirá a perfeita saúde física e mental. Nesse estado o alquimista descobre o Elixir da Longa Vida, o reconhecimento de sua essência eterna e infinita, com o qual poderá recodificar seu próprio corpo físico, libertando-o da prisão da carne, isto é, dos resíduos da genética animal que o condena à morte e assim ao renascimento.

O objetivo final, que é a culminação do que se chama Grande Obra, tem lugar no momento em que sua integração com o Cosmos e o Criador é tal que seu corpo chega a um estado de total espiritualização. Em dito momento o alquimista se liberta e ascende, através dos planos de existência, em direção a um estado de ser onde as condições são de plena bem-aventurança em comunhão com o infinito.

Três são as etapas básicas no desenvolvimento alquímico. Neste ponto é importante ressaltar que existem diversas classificações, bem como diversas óticas no uso da Alquimia.

Existe assim, para resumir, uma Alquimia Interna e outra Externa. Neste texto estamos tratando a Alquimia Interna, isto é, aquela que transmuta a personalidade do alquimista. Uma vez realizada a Alquimia Interna se torna fácil entrar na Externa na qual o alquimista é capaz de modificar o “mundo material”. Literalmente, se for necessário, poderá transmutar chumbo físico em ouro. Mas isso nada mais é do que um símbolo da capacidade que o alquimista adquire em seu domínio do plano físico, o qual pode resultar milagroso para aqueles que não compreendem a raiz de seu poder.

Agora, voltando às etapas da Alquimia, podemos dividi-las em três: NIGREDO, ALBEDO e RUBEDO.
A primeira fase é a de ignorância e a do crítico acordar. É pela qual todos nós, em momentos importantes de transformação biológica, passamos de maneira natural. Nesta forma vem como nascimento e morte, ou bem aparece nas transformações que o corpo sofre na transição entre menino e adolescente, ou deste a jovem e daí à clássica crise dos quarenta ou à velhice.

Não obstante, o alquimista ativa por seus próprios meios o processo de transformação mais importante: a morte do ego ilusório. Durante vidas nos identificamos a uma infinidade de conceitos e intentamos faze-los rígidos, estáticos. Refugiamo-nos numa torre de apegos que em vão tentamos defender dos estragos da mudança perpétua ao que se vê submetido o mundo material.

Durante essa fase, de autêntica putrefação de antigos padrões habituais de comportamento, perfila-se pouco a pouco o alvorecer de um novo estado, no qual nossa verdadeira natureza se revela.

Este é ALBEDO, palavra que provém do termo latino “Alba”. Saindo da escuridão das nossas próprias sombras, entramos na dimensão da plena objetividade, em que o momento presente surge como a única realidade na qual vivemos. Vivendo nesse estado o corpo se transforma gradualmente até chegar a uma completa regeneração que ocorre paralela à purificação da alma que nos leva a ALBEDO, pois mente e corpo são partes de uma realidade indivisível e o que sucede em um, tem seu reflexo no outro.

A regeneração, em seu momento definitivo, nos leva ao estado de RUBEDO, o “vermelho”. Neste estado a iluminação se faz patente, um mundo novo se abre ante o “olho interior” e o estado de consciência cósmica se estabelece definitivamente. É a fase de contato pleno com a eternidade e a retificação total da alma. A Grande Obra se vê cumprida e o alquimista, cheio de amor por todos os seres, dedica-se a emanar luz a seus colegas, contemplando-os compassivamente desde as alturas da mais alta realização.

sábado, 25 de setembro de 2010

Além dos reinos da Morte



Créditos:cruxsabbati.blogspot.com

Por Robin the Dart
Magister - Clã de Tubal-Caim

O Povo de Goda, o Clã de Tubal Caim, são de uma tradição ancestral de adoração Luciferiana e isto não é para se gabar, é difícil para as pessoas compreenderem. Então este simples truísmo não é uma coisa fácil de se explicar aos estranhos, pois também celebramos vida, possuindo um respeito profundo por todas as coisas meritórias ao redor de nós. Mais importante, acreditamos que a vida é uma preparação para a morte. Como o falecido Evan John Jones, o antigo Magister do Clã uma vez me disse: "Eu pensei que estava aprendendo a viver, mas estou realmente aprendendo a morrer." Isto foi trazido à mente durante nosso ritual 'Rosa Além do Túmulo', onde um aspirante é escolhido para viajar além de sua própria existência a fim de descobrir a 'Verdade' e a 'Palavra'. Robert Cochrane, o fundador do Clã, ensinou da Lei, Evan John Jones, a Palavra, e eu - 'verdade pessoal' e 'mentira'. Assim minha saudação às pessoas que eu gosto é: "Possa a Palavra proteger você da Mentira."

Mas estou divagando, volto ao ponto. O homem 'perfeito' era escolhido para o ritual, nenhum peso leve mas um Mestre Maçom, um pragmático e empírico (também um Juíz de Paz), não alguém que seja facilmente enganado por falsidades ou teatro. Depois de uma preparação significativa que incluía jejum, abstinência sexual, meditações e a segurança nos caminhos astrais, o rito culminava em um dia de preparação e ritual. Embrulhado dentro da mortalha do Clã, adornada com símbolos específicos e selos angelicais, seu espírito finalmente iniciava sua jornada com cerimônia completa. Eventualmente, o aspirante retornava deste rito complexo e envolvente, no qual o sucesso não pode ser garantido (depende muito do próprio egresso individual), como uma alma radiante, brilhante e iluminada. Quando alguém toca, mesmo que brevemente a verdadeira virtude, traz de volta como um símbolo daquela consciência, e assim que a viagem continua, aprende-se a amar a vida e não temer morte, o portal para eternidade. A energia e emoção do ritual abençoou aqueles que o testemunharam. Este despertar não é apenas do espírito que retorna ao seu estado original, é também como ele desenvolve sua passagem na Terra.


Existem três estados de aprendizado: 1) A compreensão de Deus 2) A experiência de Deus e 3) O despertar do Deus interior (vendo com os olhos de Deus). Um profeta disse que uma parte sua está neste mundo, mas não deste mundo; o sopro sagrado ligado ao seu campo eletromagnético penetra seu corpo inteiro e deste modo, ao campo eletromagnético do universo. O ritual da 'Rosa Além da Tumba' facilita este contato, ainda que seja triste que um amigo Sufi recentemente tenha divulgado sua preocupação de que estamos em tempos perigosos que pedem a quebra do ovo para re-fechar sua casca à fim de proteger o fluxo subterrâneo.

Assim, não estou sugerindo que todo mundo deva tentar esta jornada. Para nós, gerações de experiência foram passadas para nos ajudar a evitar as armadilhas nestas escuras e perigosas magias. Preparação, meditação e afirmações, como "Este não é meu corpo, este é o templo de Deus. Este não é meu coração, este é o altar de Deus", é uma boa forma de começar. Nem todos têm liberdade de tempo e restrições financeiras para indulgir em um retiro espiritual, então devemos satisfazer nossas necessidades de outras formas. Ao invés disso podemos visualizar-nos na caverna primal, vestindo o traje de um peregrino, sintonizando nossa consciência àquela do ermitão. Devemos criar dentro de nós mesmos o Sagrado dos Sagrados; as chaves são o despertar em vida para acordar além da vida.

O enfoque está no 'self' interior, pois fora de nós nada vem a ser algo (ex nihilo). Primeiramente existiu a Palavra - 'o homem de Deus é um templo em ruínas.' Nosso ritual permite que toquemos a parte que não pode morrer. Ser a criança, o louco, nos permite uma perspectiva diferente. É esta inocência que permite a máscara cair, perscrutar além do véu, ser um com o todo, entender a ilusão da ilusão, ver além do eu próprio onde o coração plana como um pássaro. O músico afina seu instrumento e assim devemos afinar a mente para a freqüência do universo - a música das esferas.

Mas não pode haver qualquer renascimento sem a 'noite escura da alma'; temos que sentir o puxar do futuro, não o empurrão do passado. Lembre, com a escrita veio a confiança do aparecimento da sabedoria ao invés da realidade da sabedoria. O símbolo do sol que nosso círculo replica (tochas ardentes ao redor de um anel central) é um símbolo para as estrelas e para o infinito. O círculo, em movimento infinito, não tem fim e nenhum início, nem cantos, pois em amor e adoração não pode haver malícia, decepção ou injustiça. É tudo isso e mais. As pedras marcam o perímetro de nosso círculo refletindo o som, dando estabilidade, permanência. Tudo tem que ser assimilado e nenhuma tarefa é muito severa quando se ligam as virtudes que destrancam aquela grande porta fechada pela solda do forjador. O Mestre zen Hakuin (1685-1768) disse: "Não sabendo o quão perto a verdade se está, busca-se longe." Uma pena, pois o místico verdadeiro não reivindica a autoridade divina por todos os seus trabalhos muito humanos. Nosso caminho é que trabalho e vida da pessoa deveria desdobrar as crenças derivadas da experiência e discernimento. Julgue um homem ou mulher não pelo que é ou pelo que diz, mas pelo que faz. Nosso caminho é o da gnose e da espiritualidade e assim, isto não pode ser facilmente expressado. Na melhor das hipóteses isto é mal-compreendido, somente o contato genuíno com o Mundo irá trazer compreensão.

Nem deveríamos ser pontificados por aqueles cuja própria falta de humildade lhes permite a se vestir ousadamente a riqueza das eras ou habitar dentro de prédios e palácios pretensiosos. Ao invés disto, o buscador verdadeiro deve olhar para além destas superficialidades a fim de extinguir sua vontade como sujeita à Vontade Verdadeira, pois somente então o laço das coisas materiais estará solto, e só então também estará o self para a vida propriamente, absoluta renúncia e liberdade total do medo da morte. Vivemos nossas vidas em uma reflexão colorida, os olhos distraídos para fora, vendo miríades de coisas esplêndidas e belas. Mas o olhar voltado para dentro gera outra coisa. Esta é a razão pela qual a magia é trabalho duro.

A Arte Antiga sempre tem sido anárquica tanto que zomba da habilidade do estado de produzir em massa os indivíduos não pensantes, autômatos, que tolamente pensam que são livres, mas na realidade controlados. Como declarado em The Hollow Men of Mister Kurtz, de T.S. Elliot "Ele o ele-esterco não sabe isto." Uma citação que particularmente gosto é: "Melhor estar no Inferno como você mesmo do que no Céu como outra pessoa." As pessoas se tornaram figuras bidimensionais, carentes de profundidade para sobreviver neste mundo mecanizado. Meras Máscaras com nada por trás delas. A razão para a terra estéril em muitos mitos é que representa a desolação estática eterna da morte, diferentemente da vida, em que tudo é passageiro. O trovão ou relâmpago é o despertar; o ponto quando a pessoa se torna ciente de viver dentro dois mundos. Permanecer no nascer e por do sol como um vivo em meio aos mortos, como um morto dentre os vivos, os vivos - não os mortos. Então comprenda o significado do Rei Pescador, onde seu ferimento é meu ferimento, sua sangria é a minha sangria, a cura é ser tocado pela mesma coisa, o amor da fonte, o amante e o amado como um, pois o caçador e o caçado são apenas um. Para tocar o divino há uma taxa vibratória tão alta que nós, como matéria, trememos; é experimentar o medo de tal forma sobrenatural que vai além da lógica, e explicar isto denigre a verdade disto. Então venha para a dor, a retirada terrível sobre o qual o corpo se torna um obstáculo.

Todavia, ter uma linhagem não é para impressionar com idade ou autenticidade, mas simplesmente para se ter uma pista para seguir nossa irmandade ancestral, viajantes distantes, guias e guardiões das chaves e símbolos, dentro do Vazio e além. Para nós, o Graal é o Caldeirão, ferro negro, metal básico no lado de fora, fogo, fricção, movimento aquecendo o líquido, o espírito e magia da vida primordial, criando vapor, umidade, éter invisível, tudo para aquilo além do que vemos. Os conceitos simples que tentam elucidar o inexplicável.

Possa a Palavra Lhe Proteger da Mentira

Nota bibliográfica: O escritor é o presente Magister presente do Clan of Tubal Cain e vive em Derbyshire.

sábado, 11 de setembro de 2010

As Três Peneiras





Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:


- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.


- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.


- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.
SOBRE O SECTARISMO - ALDOUS HUXLEY




"Sem a compreensão do desejo profundo que têm os seres humanos de se autotranscenderem,da relutância natural que experimentam em tomar o caminho duro e difícil da ascensão espiritual, e da conseqüente procura de uma falsa libertação, não poderemos entender a época em que vivemos ou mesmo na história em geral, a vida como foi vivida no passado e como é em nossos dias.
O sectarismo é uma paixão complexa que permite àqueles que a ele se entregam usufruir o máximo de dois mundos.
Porque agem em interesse do grupo, que é por definição bom e até
mesmo sagrado, eles podem admirar a si mesmos e detestar seus semelhantes, podem buscar poder e riqueza, podem gozar os prazeres da agressão e crueldade, não apenas sem sentimento de culpa, mas como um indiscutível exemplo de virtude.
A fidelidade ao grupo transforma esses vícios agradáveis em atos de heroísmo. Os sectários consideram-se não como pecadores ou criminosos, mas como altruístas ou idealistas. O problema é que seu idealismo é apenas egoísmo
sob certos aspectos, e que o ideal pelo qual estão dispostos a sacrificar suas vidas, nada mais é que a racionalização dos interesses do grupo e das paixões partidárias.
Os caminhos pêlos quais,e através dos quais, homens e mulheres têm tentado escapar da torturante consciência de serem apenas eles mesmos, podem ser chamados de sucedâneos das Graças.
Por mais elevadas e confortadoras que sejam as experiências psíquicas, não são a revelação, nem mesmo o caminho para atingi-la."
CRITICA DE CINEMA - NOSSO LAR


Totalmente sintonizado com o pensamento de Allan Kardec, Nosso Lar é um filme sobre redenção, segunda chance e - principalmente - evolução. Ele opta por uma linguagem simples e direta – pode-se dizer até didática – com a finalidade de atingir o maior número possível de pessoas. Um didatismo que esbarra muitas vezes na ingenuidade, e que aponta para o catequético. No afã de não deixar arestas, prefere eliminar qualquer tipo de sutileza, para que não falhe em sua intenção doutrinária. Não é um erro, mas uma opção: perde o Cinema, ganha a Missão.
O livro Nosso Lar, no qual o filme se baseia, está em sua 60° edição no Brasil, onde vendeu cerca de 2 milhões de exemplares. Já foi traduzido para o inglês, alemão, francês, espanhol, esperanto, russo, japonês, tcheco, braile, grego e é um dos campeões de venda da literatura espírita.Baseado na obra literária de mesmo nome, psicografia do espírito André Luiz ao médium Chico Xavier, o filme conta a história desse espírito em sua vida pós-morte.

SINOPSE:
André Luiz (Renato Prieto) é um importante médico da sociedade carioca com uma vida entediante, que abusa do álcool e orgia com mulheres para se sentir melhor. Casado e pai de três filhos, é um homem frio dentro do lar, que apenas crê que seu compromisso seja dar conforto e regalias aos seus.
Quando uma doença surge em decorrência de seus atos, morre e acorda na espiritualidade. É então que sua trajetória em outra vida começa, com muitas dúvidas e medos. Mas assim que é socorrido para a colônia Nosso Lar, descobre que sempre há uma nova chance para os erros cometidos na vida.]

COMENTÁRIOS
Admiro todo trabalho humanitário e espiritual, sem reconceitos.Inclusive a querida figura do Mestre Chico Xavier. Sou inclusive admirador do estilo literário de Conde Rochester, canalizado por Vera Kryzhanoviskaia.Mas admito que não sou fã do genêro, pelo excesso de clichês.
 Respeitando-se a visão espirita,muitas vezes soa antiquada seu linguajar.Isto é perfeitamente compriensivel, dada ás peculiaridades de seu surgimento e desenvolvimento.Porém,nem tudo segue esta simples fórmula:morreu, desce pro umbral ou inferno, se arrepende (até demônios podem se arrepender!);é resgatado por uma equipe médica do Plano Superior (com certeza existe a Fraternidade Branca, mas nem tudo que reluz é ouro:nem toda canalização é vinda de uma Fonte Confiável);  fica num se recuperando, aprende lições enquanto vive como se estivesse realmente na Terra...e escolhe quando e como reencarnar...e volta de novo!!!!Tão simples assim:basta ser um moralista cristão aceito pela sociedade dos bons costumes.Valores da boa e velha década de 50... fatalmente, os valores hoje em dia estão de ponta cabeça.Mas como encontrar o Equilibrio?

Existem muitas Leis Universais.Soa simplista demais. Por isso a literatura espírita tem este atrativo:é acessivel a todos.Um grande mérito.Mas a sua Cosmogonia, por exemplo, soa destituida de profundidade, chega a ser fantasiosa até.É ligada á Era de Peixes, á Era da Emoção. Mas estamos na Era de Áquario, tempo de transformação. A linguagem espirita deveria acompanhar este salto.

Ponto Alto: A cena final, onde André Luis visita sua família, ao toque suave e melancólico do piano,evoca muita ternura e reflexão, a lição a ser aprendida?O Desapego.
O ponto culminante:A Redenção e Elevação do personagem.

Cristicismo exagerado: Mas a chegada ao Nosso Lar das vítimas do Holocausto,  é difícil de assistir. Ainda que tente ser respeitosa e solene, a sequência ignora diferenças fundamentais nos conceitos de vida eterna das duas religiões e me pareceu equivocada e invasiva. Houve muitos povos vitimas da Segunda Guerra Mundial:somente os judeus subiram direto para o Nosso Lar, mas os outros povos "pagãos" foram direto para o inferno?Que mensagem está oculta nesta cena?O bom samaritano á casa retorna? Tornou-se clichê em filmes evocar esta lembrança. Aliás, o filme, apesar dos efeitos digitais incrivéis, peca pelo excesso de clichês.
Outro ponto fraco são as atuações de todo o elenco! Renato Prieto não consegue nos fazer simpatizar com o protagonista André Luiz, pois não soa natural. Falas ditadas, em estilo declamatório que seriam perfeitas para o teatro, mas que no cinema torna-se insuportável!
A trilha sonora de Philip Glass, ao longo do filme, destoa do ritmo do filme, que é um tanto lento
Um filme que até evangélicos poderiam assistir. Trata-se de uma temática humana: o despertar da consciência e a evolução do ser.Um filme que vale a pena assistir pela mensagem em si.


Porém,não ouso afirmar nem negar